Dificuldades em perceber o que são os eixos XYZ? São eixos cartesianos (a partir de Descartes, o matemático que primeiro descreveu este tipo de sistema de coordenadas) e permitem localizar um ponto com exactidão no espaço tridimensional. Para compreender melhor a orientação destes eixos, podemos utilizar a regra da mão direita: coloca os dedos da tua mão direita tal como na imagem. O polegar representa o eixo X, o indicador o eixo Y, e o dedo médio o eixo Z. Também ajuda pensares no eixo Y como cima/baixo, eixo X como norte-sul, e eixo Z como este/oeste.
(Imagem adaptada de Brutzman, D., Daly, N. (2007). X3D: Extensible 3D Graphics for Web Authors. São Francisco: Elsevier.)
A criação de um espaço virtual tridimensional no Vivaty Studio pode ser elaborada através da integração de objectos criados noutros programas. Neste tutorial vemos como importar objectos vrml criados no Doga, objectos kmz criados no Google Sketchup, terrenos exportados do Bryce no formato obj e modelos no formato 3DS.
O video fica aqui para que quem não tem plugins para vrml possa descobrir este trabalho. É o primeiro ambiente virtual 3D criado pelos meus alunos. Não está perfeitinho, as animações estão um pouco desconcertantes e as proporções gragantuescas, mas... foi criado por crianças em 3D. Para quem quiser visitar o espaço virtual, o link é este: VRMLWorld | Natal (6ºD).
O Doga é um potente mas simples software que permite criar modelos e animações em 3D. O programa não permite modelar de raiz, socorrendo-se de peças pré-criadas intercambiáveis que podem ser combinadas e modificadas. Está estruturado em 3 versões, pensadas para facilitar a aprendizagem dos conceitos elementares e fluxos de trabalho da modelação e animação 3d. A versão 3 é a mais completa, e permite manipulação de texturas e materiais. O programa pode ser descarregado aqui: Doga L3.
Sumopaint É uma espécie de photoshop/paint.net online. Corre em flash, e grava imagens para uma galeria online ou para o computador.
Photoshop Isso mesmo. É o Photoshop - aliás, algumas das suas funcionalidades, online. Também disponível para iPhones e Androids.
Evolver Um criador de avatares 3D. Cria a partir da manipulação de partes do corpo e exporta para uma grande gama de formatos. Infelizmente alguns são pagos (3DS, Maya).
Aviary A mais ambiciosa das webapps gráficas. Pretende ser um estúdio digital com edição de imagem, desenho vectorial, som e vídeo online.
Avatar Studio Para quem quiser experimentar a criação de avatares em 3D, este programa é o melhor. Muito simples de utilizar, com uma enorme gama de personalização de elementos e possibilidade de animação. Exporta para VRML. Descarregar o Avatar Studio, e um player de VRML: BS Contact.
Neste natal surgiram nas televisões dois anuncios na televisão que sublinham como as fronteiras entre o real e o virtual, sempre algo ténues no espírito humano (Moura, 2009), se estão a fundir. Sentimos que as fronteiras entre os espaços reais e virtuais se esboroam, potenciadas pela tecnologia digital, e estes dois anúncios reflectem esse sentimento.
Eye Pet: este é um daqueles brinquedos que vai despertar resmungos sobre a desumanização das crianças. Um animal de estimação que "vive" dentro do televisor (na prática, dentro da memória de processamento da playstation) e que permite interacção através de objectos reais que se estendem ao espaço virtual. É uma pura aplicação de realidade aumentada, em que as acções do mundo real se estendem ao espaço virtual. No vídeo fiquei particularmente curioso com a capacidade de desenhar uma forma num papel, fazer a leitura com a câmara e poder transformar a forma rabiscada num objecto 3D manipulável. Não interpretaríamos a criatura virtual como um ser vivo, mas o potencial de interagir com o virtual utilizando os nossos gestos habituais em vez de objectos de interface é muito promissor. Imagine-se: escrever num dcoumento sem utilizar um teclado, manipular um ficheiro utilizando os gestos manuais e não o rato/touchpad.
Mais interessante é a publicidade ao Wii Sports Resort, pelo conceito em que se baseia. O olhar do espectador é levando em círculos, alternando entre espaço virtual e espaço real. As cenas estão construídas de forma a que o espaço real pareça uma extensão do espaço virtual e vice-versa; um constante ciclo entre imaginário e realidade física com a máquina como interface de fronteira a servir de ponte entre as duas realidades. O que é real, o que não o é? Serão os bonequinhos coloridos os seres reais e nós a mera projecção das suas fantasias?
A ancoragem do espírito humano no real é discutível. Se fossemos realmente fãs do real, toda a construção de espaços imaginários que constitui o espólio da cultura humana - mitos, ficção, literatura, arte, música, não seria possível. A génese da realidade virtual está no nosso cérebro, na nossa capacidade de imaginar objectos, acontecimentos e espaços que não existem ou não aconteceram senão no espaço exíguo das nossas sinapses. A tecnologia digital está apenas a acelarar e a ampliar o espectro do possível dentro da fronteira entre o real e imaginário, e a fazer o impensável para outras tecnologias que representam e representaram, durante milénios, o virtual, como a linguagem oral e escrita, ou a linguagem plástica. Observar a capacidade de falar, escrever e representar graficamente como tecnologias parece contra-senso, mas não o é na medida em que permitem representar o virtual, o imaginário nas nossas mentes. O digital apenas trouxe a capacidade de interagir com os espaços virtuais. Escrevo "apenas" para olhar para lá do deslumbramento com o digital e recordar que um livro, um quadro ou um mito também nos mergulham num espaço virtual. Temos é de o reconstruir na nossa mente. O digital tira-nos essa reconstrução, mas amplia a capacidade de interacção e criação.
(As referências vão para os ensaios A Arte como uma nova filosofia natural: o explodir de novas fronteiras de Henrique Garcia Pereira, referindo "a hibridização do vivo com o artificial acaba com uma série de antigos dualismos, em especial a separação mente-corpo, que é uma herança de Descartes e que foi mantida viva durante séculos, para serivr de suporte intelectual ao capitalismo industrial." (p:50), e Vida 2.0: o novo paradigma da arte de Leonel Moura, que reflecte "a realidade virtual vem demonstrar que o nosso cérebro não faz distinção entre o mundo físico e o imaginado. Coisa que já sabíamos a partir dos sonhos, mas que adquire uma outra dimensão, fenomenológica, já que agora temos estes outros sonhos perfeitamente acordados." (p:44))